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agosto 09, 2009

Resumo do Cássio

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junho 26, 2009

A grande Guerra - Primeira Guerra Mundial

Buscando um melhor entendimento global sobre a Primeira Guerra Mundial, falarei rapidamente sobre os motivos (que não caem, mas são importantes para o desenrolar do conflito):
  1. Anarquia internacional: ausência de organismo internacional, como a Liga das Nações e da ONU (criadas posteriormente)
  2. Causas Nacionalistas: Pangermanismo, Revanchismo Francês, Paneslavismo, Iugoslavismo – motivações nacionalistas ou revanchistas (franceses versus russos versus alemães versus ingleses versus turcos e por aí vai)
  3. Questão do Oriente: junção da decadência do Império Turco-Otomano com o nacionalismo e separatismo dos países pertencentes ao Império, além da incerteza sobre o futuro dos territórios que estavam se fragmentando (as potências estavam lutando por colônias e/ou regiões de influência)
  4. Questão da Alemanha: a unificação da Alemanha e a criação do II Reich (Império Alemão) sob o comando de Otto Von Bismarck e, posteriormente, Guillherme II, causaram um desequilíbrio na Ordem Européia (Concerto Europeu), pois a Alemanha estava ameaçando a hegemonia industrial e bélica da Grã-Bretanha.
  5. Formação de alianças: em 1907 surgiu a aliança de França, Inglaterra e Rússia, que se organizaram para conter o avanço alemão e formaram a Tríplice Entente. Alemanha, Áustria-Hungria e Itália formavam, desde 1882, a Tríplice Aliança, que foi reforçada com a explosão da guerra.
  6. Crises Internacionais: fatos regionais como a crise no Marrocos entre França e Alemanha, a guerra Russo-Turca, as guerras balcânicas de independência dos países do Império Turco-Otomano e, finalmente, o episódio que precipitou a guerra – o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, em visita à Bósnia (morto por uma organização terrorista paga pelos sérvios).

    Olhando apenas para o episódio do assassinato do F.Ferdinando, não entendemos o porquê de a guerra ter eclodido, pois a Bósnia era um território da Áustria-Hungria – analisando assim, foi um fato regional. Mas analisando os motivos para o assassinato (revanchismo dos bósnios) e que sérvios (principal povo eslavo do sul, como os bósnios) pagaram pelo assassinato, vemos que vai muito além de problemas regionais.

No mês seguinte ao assassinato, a Áustria-Hungria declarou guerra contra a Sérvia. Rússia e Alemanha mobilizam suas tropas (a Rússia com intenção de revidar a declaração feita pela AH contra a Sérvia, sua aliada eslava; Alemanha para prevenir qualquer agressão da Rússia contra a sua aliada AH). Poucos dias depois, Alemanha declara guerra contra a Rússia e já começa as conquistas para o lado ocidental (toma Luxemburgo e exige da Bélgica passagem livre para as tropas).
Antes que a França pudesse tentar retomar a Alsácia-Lorena da Alemanha, os alemães invadem a Bélgica e declaram guerra à França. A Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha em defesa da aliada França. A Áustria-Hungria, para demonstrar apoio à aliada Alemanha, declara guerra à Rússia. Em defesa dos russos, ingleses e franceses declaram guerra aos austro-húngaros. Aí fica completa a bagunça. E de 14 a 18, o conflito militar se desenrola no grande campo de batalha europeu. Diz-se guerra mundial porque todos os países estavam direta ou indiretamente ligados à situação na Europa: 24 países se alinharam à Tríplice Entente, formando as Potências Associadas. Contra eles, a Tríplice Aliança e outros 4 países formaram as Potências Centrais. Ambos os lados acreditavam que seria uma guerra curta, mas o confllito durou de 1914 a 1918.

Separando em fases, a guerra pode ser dividida no período que vai de 14 a 16, depois o ano de 1917 e, finalmente, o ano de 1918:

  • 1914 – 1916: Impasse

Os combates concentraram-se na Europa, com alguns focos de conflitos nas colônias de ambos os lados. Os principais avanços territoriais foram os da Alemanha, que conquistou Luxemburgo e uma parte da Bélgica (do lado ocidental) e uma parte da Rússia ( do lado oriental), mas sem conseguir subjugar os países. Do outro lado, a Entente não conseguia reconquistar os territórios tomados pela Aliança nem conquistar territórios dos Turcos. Nesse impasse, criaram-se barreiras quilométricas nas fronteiras – grandes valas nas quais os soldados ficavam de prontidão para qualquer tentativa de avanço inimigo. E nessa situação, milhares de soldados morriam com as péssimas condições, às vezes sem comunicação ou isolados entre linhas inimigas. Por dois anos, as forças militares dos dois lados foram se exaurindo, e as forças armadas iam se esgotando – cada vez mais, civis eram recrutados para defender o país nos fronts de batalha. Além do desgaste militar, a popularidade dos governos e a economia dos países foram declinando com a demora da guerra.

  • 1917: Mudanças bruscas

Duas mudanças abruptas que mudaram o curso da guerra em 17 foram a Crise Russa (terminando com Revolução Socialista no país e a retirada do exército da guerra) e a entrada dos EUA no conflito ao lado da Entente. A revolução russa de 17 foi importante no conflito pela saída da Rússia da guerra, saída esta decidida pelo governo provisório dos socialistas (depois falo especificamente do caso da Rússia), e a CESSÃO de territórios à Alemanha (tratado de Brest-Litovsk). Com a saída da Rússia, a Alemanha pôde deslocar suas tropas do lado oriental para a frente ocidental para combater a Entente, que recebeu apoio dos EUA, que declararam guerra à Alemanha em abril, mesmo mês da Revolução Russa (ao contrário do que é hoje em dia, os EUA não eram uma potência militar – tinham um exército pouco treinado e sem experiência, além de relativamente pequeno). Os motivos principais para a entrada dos americanos foram: aliança econômica já existente com a Entente (se os seus aliados perdessem a guerra, não poderiam pagar as dívidas com os EUA); bombardeios constantes de submarinos alemães a navios de suprimento americanos no Atlântico e a descoberta de uma aliança secreta entre Alemanha e México para invadir os EUA.
A ajuda militar americana, na verdade, só foi sentida em 1918, pois de 17 a 18, o exército do Tio Sam estava sendo precocemente preparado para a guerra. Enquanto isso, na Europa, a Rússia já tinha declarado derrota para os alemães, que já estavam movendo as tropas para a frente Ocidental. Só em janeiro que os EUA puderam ajudar franceses e ingleses a impedir o avanço alemão no continente.

  • 1918: Virada e conclusão

Com a Alemanha vencendo a guerra na Europa, o presidente americano Woodrow Wilson fez uma proposta de paz baseada em princípios liberais, conhecida como “Os 14 pontos de Wilson”. Nesses pontos, ele defendia uma “paz sem vencedores”, com fim do conflito armado e restituição dos territórios de antes da guerra; acabava com os pactos secretos, exigindo clareza nos tratados de aliança e de paz entre os países; delimitava que os países dos Impérios devastados na guerra (AH e Turco-Otomano); instituía a criação de um organismo internacional que garantisse a paz entre os países, o desarmamento e a democracia numa nova ordem mundial. Como resultado, Wilson recebeu um não de todas os lados, inclusive dos aliados, que tinham pactos secretos e esperavam conquistar territórios para depois da guerra.

Entre os meses de março a julho, superando o cansaço das tropas e a falta de aliados (AH estava destruída, Sérvia e Romênia derrotadas), os alemães lançaram uma ofensiva contra a Entente, atacando principalmente o norte da França (principal ponto de ação dos franceses e ingleses). Com a chegada de reforços americanos, a Entente resistiu à ofensiva e, com os ‘ianques’, foi organizada uma contra-ofensiva a partir de agosto – e foi o que virou a guerra para o lado da Entente: os alemães tiveram que recuar, acabando com a moral do Exército de Guilherme II. Entre agosto e outubro, Alemanha, AH, Turquia e Bulgária (todas da Aliança), estavam acabadas. População revoltada com a continuação da guerra e passando fome, movimentos anti-governistas, greves e tudo isso sob ataque constante do inimigo – com o colapso militar, Turquia, Bulgária e AH se renderam. Em novembro, com a derrubada do kaiser Guilherme II, o governo provisório alemão declarou rendição.

Detalhe importante: apesar da rendição, os alemães não tinham perdido território, o exército ainda estava agüentando firmemente nas fronteiras dos países ocupados e não havia nenhum exército inimigo dentro do país. Tudo isso fez com que a população encarasse a rendição como algo anti-patriótico: uma decisão governamental contrária aos interesses nacionais e aparentemente sem motivo – foi como uma facada nas costas dos alemães (daí a criação do “Mito da facada nas costas”, que foi um dos motivadores da 2ª Guerra).

Fim da guerra. Era preciso um conselho entre os países vencedores para delinear uma nova ordem mundial de territórios, alianças, políticas... No Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, foi feita a Conferência de Paz de Paris (1919-1920), que teve como principal documento o “Tratado de Versalhes”. Era uma prestação de contas, na verdade, dos vencedores para os perdedores: a Alemanha, considerada única perdedora, teve de pagar indenizações astronômicas aos vencedores; proibia a aliança entre Alemanha e Áustria (país que ‘sobrou’ das ruínas da AH), além de diminuir suas forças armadas, retirar seu exército das fronteiras, devolver os territórios conquistados e ceder colônias. Além disso, o Tratado de Versalhes foi responsável pela criação da Liga das Nações, organismo que reuniria representantes das principais potências para manter a ordem mundial. A principal consequência das medidas do Tratado foi a humilhação e mutilação territorial da Alemanha, gerando um sentimento de revanchismo (percebido na 2ª Guerra).


Voltando agora num fator regional do período de 14 a 18, que eu não detalhei ainda – a Revolução Russa de 1917
Fases:

  • Revolução de Fevereiro (no nosso calendário, seria março): foi uma revolução popular anti-czarismo com o intuito de instalar na Rússia uma democracia capitalista, fazer a reforma agrária, acabar com a crise econômica gerada pela participação na guerra e retirar o exército da guerra na Europa.

Conseguiram derrubar a monarquia do Czar Nicolau II, instalando um governo provisório liderado por socialistas e liberalistas, com apoio inicial dos sovietes (grupos radicais de operários). Governaram no governo provisório: Lvov (liberal, de março a julho)e Kerenski (socialista moderado -menchevique, de julho a outubro). No governo de Kerenski foram feitas várias mudanças importantes na conjectura social/política, como a instituição da liberdade de expressão, a convocação de uma Assembléia Constituinte e a manutenção do exército russo na guerra para honrar a aliança com franceses e ingleses. Apesar das mudanças, foi um governo impopular: cada vez mais os sovietes queriam poder político e o povo estava insatisfeito com a guerra, que gerava uma crise econômica mais profunda a cada dia. Surgiram então alguns sovietes de oposição, liderados por Lênin (bolcheviques), que defendia uma revolução socialista. Seus argumentos: (I) o capitalismo será destruído com a Primeira Guerra, (II) não há porque defender o capitalismo russo se o capitalismo vai quebrar no mundo e (III) uma revolução socialista na Rússia se expandiria para o mundo, criando uma nova ordem de paz. Seus lemas para atrais o apoio do povo eram: “Paz, terra e pão” (retirada da guerra, reforma agrária e produção agrícola para consumo interno) e “Todo o poder para os sovietes” (acabando com o governo provisório e dando-o para o povo, teoricamente).

  • Revolução de Outubro (na verdade novembro) ou Revolução Comunista (bolcheviques contra mencheviques): foi a derrubada do governo do Kerenski e a instalação de um governo soviete socialista.

Derrubado Kerenski, sobe Lênin ao poder. Principais mudanças: retirada do país da guerra (Tratado de Brest-Litovsk), instalação do regime socialista (nacionalização das empresas), reforma agrária, cancelamento da dívida externa, criação do Decreto das Nacionalidades (independência/autodeterminação dos povos do Império Russo) e fechamento da Assembléia Constituinte (censura, proibição de greves e perseguição aos mencheviques e partidos “burgueses”.

maio 13, 2009

Motivos para a Grande Guerra


Esta parte do Cássio fala dos motivos para a eclosão da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) ou Grande Guerra. Uma pequena parte dos motivos ele já cobrou na prova passada (tem no resumo antigo), que fala da política externa da Grã-Bretanha, da Supremacia Européia no cenário internacional, da anarquia internacional... Enfim, vamos continuar com a matéria da segunda etapa, que engloba o período de 1870 a 1914, quando começou a Guerra.




  • Questão do Oriente

Um dos motivos que mais causou instabilidade no cenário internacional pré-Guerra foi a Questão do Oriente, que envolve a decadência do Império Turco-Otomano (controlado pelo califa, chefe da UMMA - comunidade islâmica, e sucessor de Maomé) e a disputa de seus vastos territórios (que envolvem o Oriente Médio e a região dos Bálcãs). A decadência desse gigante se deu, principalmente, pela diversidade étnica e cultural presente em seus territórios, o que gerou movimentos separatistas, em especial da parte dos povos cristãos (gregos, eslavos, romênios e armênios). Outro motivo era o grande atraso econômico e tecnológico do Império Turco, baseado na agricultura (sociedade arcaica). Em último, mas não menos importante, vem o motivo do Imperialismo Ocidental, que buscava a desintegração do território Turco; dentre tais imperialistas, o mais evidente era Rússia, que buscava uma saída para o Mediterrâneo e o controle da região do Cáucaso (ver mapas).

Todos esses fatores, especialmente o do imperialismo russo, levaram à Guerra Russo-Turca, em 1877-1878. Nessa guerra, a Rússia sai vencedora, anexando territórios no Mar Negro e no Cáucaso, além de apoiar a independência da Sérvia e da Romênia. A Bósnia também conseguiu ficar livre do Império Turco-Otomano, mas acabou sendo anexada pelo Império Áustro-Húngaro (ou simplesmente Áustria-Hungria - AH).

  • Anarquia Internacional

A ausência de um organismo internacional que reunisse as principais potências com o objetivo de manutenir a paz e a ordem ("Concerto Europeu") gerou uma atmosfera de tensão, especialmente com a ascensão da Alemanha, que ameaçou e acabou com a hegemonia da Grã-Bretanha.

  • Imperialismo Capitalista

Apontado por muitos (marxistas, inclusive) como principal motivo para a eclosão da guerra, o capitalismo financeiro-monopolista aumentava a competição por colônias e mercados consumidores. A entrada da Alemanha de forma tardia nesta corrida capitalista também abalou a conjectura econômica/política da época.

  • Causas Nacionalistas

Chauvinismo ou Jingoísmo são nomes dados para o nacionalismo ou revanchismo extremo contra algum "inimigo histórico" externo. São exemplos da época:

  1. Revanchismo Francês: por ter perdido a Guerra Franco-Prussiana para a Alemanha e a Prússia, os franceses buscavam vingança e logravam recuperar os territórios da Alsácia-Lorena, perdidos na mesma guerra.

  2. Pangermanismo: união ou aliança entre os povos germânicos (especialmente os alemães), o que favoreceu a aliança entre Alemanha, Áustria-Hungria e Prússia contra os eslavos, tidos como ameaça ao Império Alemão (que veremos em breve).

  3. Pan-eslavismo: união ou cooperação entre os povos eslavos (russos, sérvios, tchecos), dando destaque à Rússia como "defensora dos povos eslavos".

  4. Iugoslavismo: ideal de união dos povos eslavos do sul (Iugoslavos) para a criação da Iugoslávia (ou Grande Sérvia, que era o ideal expansionista sérvio). Foi direcionado contra a Áustria-Hungria, que ocupava a Bósnia.




  • Questão Alemã

Uma das mais complexas questões pré-Guerra, a questão da Alemanha pode ser dividida em 3 fases:

  1. Unificação (1864 - 1871)

O chanceler alemão Otto von Bismarck, apoiado militarmente e politicamente pelo Rei da Prússia, Guilherme I, foi o principal responsável pela unificação dos reinos alemães em 1871, após vários conflitos com as potências vizinhas (principalmente contra a França, na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71). Com a unificação e a criação do II Reich (Segundo Império) Alemão, o país se tornou a maior potência industrial e militar do Cosmos, quebrando o equilíbrio de poder no continente e acabando com a hegemonia Britânica (no quesito industrial). Restava a dúvida: usar este poder adquirido para manter o "Concerto Europeu" ou para impor a hegemonia alemã? As duas eras que sucedem são respostas constrastantes à tal pergunta:

  1. Era Bismarckiana (1871 - 1890)

Bismarck, assumindo o papel de Chanceler Imperial do II Reich, preferiu manter, de certa forma, o equilíbrio de forças na Europa, exercendo um colonialismo moderado (para não irritar os ingleses) e forjando alianças (exemplo: em 72, foi assinado com a Rússia e a Itália um acordo dos 3 Imperadores, contra qualquer movimento revolucionário que ameaçasse o poder monárquico). Tal política (Real Politik) de equilíbrio de forças envolvia a preservação da unidade do recém-formado Estado alemão e do poder monárquico, além de provocar um isolamento diplomático da França (para que esta não conseguisse um aliado que a ajudasse a recuperar os territórios perdidos para a Alemanha), e um acordo que confirma tal politica é o assinado em 82 com Áustria-Hungria e Itália contra a França. E falando em acordos, outro que Bismarck firmou foi o Resseguro, de 87, garantindo uma política de não-agressão mútua com os russos.

  1. Era Guilhermina (1890 - 1918)

Com a morte do Rei (Kaiser) Guilherme I, assume seu filho Guilherme II, que tem o ideal de usar o poder alemão para impor o II Reich na Europa. Sua primeira medida é despedir o chanceler Bismarck. Para que demití-lo? Porque, por mais que ele tenha desenvolvido o país, ele o fez criando alianças, sem impor o poderio alemão, o que possibilitou um maior desenvolvimento das outras potências em detrimento da Alemanha na Era Bismarckiana. Além disso, a modernização durante um governo autoritário gera ideais revolucionários das classes operária e média, ameaçando o poder da monarquia e dos "Junkers" (aristocratas militaristas da Prússia). Para amenizar tais pressões populares, Guilherme II lançou uma política Nacionalista Imperialista de Engrandecimento da Alemanha, gerando um sentimento nacionalista expansionista e de apoio à monarquia. Tal política recebeu o nome de Weltpolitik e tinha por objetivo a imposição do poderio do II Reich. Inicialmente com a criação de uma grande Marinha (Grã-Bretanha ficou desesperada e começou uma corrida naval), com o fortalecimento da aliança com a Áustria-Hungria e com o afastamento da Rússia (considerada inimiga - eslava).

O afastamento de Rússia e Alemanha favoreceu enormemente a Rússia, pois esta se aproximou da França e da Grã-Bretanha, formando a Tríplice Entente (1907). Estando aliados aos franceses, os russos começaram a desenvolver seu exército, ameaçando o poderio bélico da Alemanha. Estando cercada de potências rivais e com a desenvolvimento militar russo, o raciocínio alemão começou a ser: melhor guerrear enquanto ainda estou mais forte (gerou tensão na Europa).

  • Crises internacionais/regionais
  1. Marrocos, 1906-1911: França e Alemanha lutam pelo apoio marroquino. Alemanha se retira do país em 1911.

  2. Bálcãs, 1908: Áustria-Hungria anexa a Bósnia, gerando o surgimento de grupos de oposição terroristas na região - Jovem Bósnia e Mão Negra.

  3. Bálcãs, 1912-1913: Guerras Balcânicas - fortalecimento militar e político-regional da Sérvia.

  4. Bósnia, 1913-1914: assassinato do Arqueduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, numa visita à cidade de Sarajevo. O assassino era do grupo Jovem Bósnia. A Áustria-Hungria acusa a Sérvia pelo ataque, precipitando a guerra.

Começa então a Grande Guerra de 1914, com um arqueduque morto e declarações de guerra a torto e a direito. Depois de 4 anos de Guerra, Impérios varridos do mapa, uma nova potência surgindo... É muita emoção. Não perca, no próximo capítulo de A GRANDE GUERRA.

Ok, autismos à parte, é isso. Qualquer erro, dúvida, sugestão, frase célebre, só comentar.

Aula de tarde (14h às 18:30h) no Galois da L2. Só me procurar no colégio (se não me achar: 81472185).

Abraços!

março 18, 2009

Esquema novo - cássio

Como o resumo do Cássio ficou meio confuso para alguns, postei um esquema mais simplificado e em tópicos (fotos do quadro) que eu fiz. Álbum do orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=18069181009704545510&aid=1237400819

março 16, 2009

Modernidade e Idade Contemporânea

Antes de tudo, quero me desculpar por não ter colocado, no resumo de português, as figuras de palavra que caíram na primeira questão de português. E mais ainda por ter dito num comentário que eu achei que não fosse cair. Mil desculpas. Fico devendo 1,5 pontos na próxima prova.

Agora vamos ao resumo. Parte do Cássio, dividida em uma parte conceitual e uma parte histórica...

Matéria conceitual – Modernidade e Idade Contemporânea

Dá-se o nome de Idade Contemporânea ao período iniciado no final do século XVIII (+- 1780), época de mudanças bruscas e radicais, marcadas com o avanço acelerado e implacável da Modernização em escala global. Mas o que é a modernização? Nada mais é que a passagem da sociedade Arcaica ou Tradicional (religiosa, camponesa e agrária) para a sociedade moderna (industrial, urbana e secular – secularizar é separar a moral religiosa da moral social através da razão). Esse processo se iniciou na chamada Idade Moderna (Renascimento, Grandes Navegações- sécs. XV, XVI), mas foi muito mais acentuado na Idade Contemporânea, marcada pela “Dupla Revolução”:

*Revolução Industrial Inglesa: teve sua arrancada na segunda metade do Século XVIII, com a ascensão burguesa na Europa e com o liberalismo econômico e político (livre-mercado, especialmente). Foi a causadora da hegemonia da Grã-Bretanha na Europa até a 1ª Guerra Mundial.

*Revoluções político-sociais: tanto na Revolução Francesa quanto na Americana, a burguesia ascendeu ao poder político e espalhou os ideais liberais pelo mundo (liberdade, fraternidade, igualdade).

Com o impacto econômico e social da “Dupla Revolução”, a modernização tornou-se muito mais acelerada, especialmente no que diz respeito à industrialização dos países (alguns mais rapidamente que outros, pois a modernização é um processo relativo e variável no tempo e no espaço). Além disso, pode ser um processo forçado, como no Imperialismo, e isso gera movimentos contrários (tradicionais ou reacionários) com uma mentalidade “anti-moderna”.

O modo de produção iniciado e intensificado nesse período e que dura até hoje é o capitalismo, que tem como base a economia de mercado (lei da oferta e procura, o mercado se autorregula), a propriedade privada do capital, o trabalho livre e assalariado e a divisão entre classes econômicas (burguesia capitalista, proletariado). Com o avanço da modernização, da industrialização e do capitalismo, o Ocidente tornou-se, de certa forma, o centro do mundo (econômica e culturalmente).

A supremacia ocidental se estabeleceu com a expansão das grandes potências e o alastramento de sua cultura: do estado liberal, da economia capitalista, do cristianismo. Mas houve fortes impactos sobre outras civilizações como foi no caso do Imperialismo (tendência das grandes potências de criarem grandes impérios coloniais, impondo sua cultura e seu modo de vida em detrimento de culturas já estabelecidas; isso acontecia de maneira muitas vezes taxatória e/ou violenta). África e Ásia foram os que mais sofreram com a ação imperialista de ingleses, franceses e belgas, por exemplo. Mas a aceitação não foi completa nem muito menos pacífica: surgiram diversos grupos reacionários, às vezes até extremistas (como o Talibã).

Também sobre a Modernidade, podemos dividi-la de aproximadamente 1774 a 1914 e de 1914 a 1991. Esses dois períodos são chamados, pelos historiadores, de Longo Século XIX e Curto Século XX, respectivamente. Foram nessas fases que ocorreram os acontecimentos que levaram o mundo à atual conjectura (organização). Para simplificar:

· Longo Século XIX: marcado pelo impacto da “Dupla Revolução” (Industrial + Americana e Francesa); supremacia da Europa no cenário global; Grã-Bretanha como potência hegemônica do capitalismo (maior império colonial e mais industrializada); expansão dos ideais liberais (burgueses) e do sistema capitalista. Época de grande prosperidade econômica e relativamente poucos conflitos entre as potências.

· Curto ou breve Século XX: iniciado com o conflito de 1914 (1ª Guerra Mundial), acabando com o clima de prosperidade e “paz”. Pouco tempo depois, mal o mundo se levanta da 1ª Guerra, vem a 2ª Guerra Mundial em 1939. Isso acabou com a supremacia européia, transferindo o status de potência hegemônica para os EUA. Marcada com o surgimento do socialismo como modelo alternativo ao capitalismo e com a ascensão da Ásia (especialmente Japão e China), tirando a supremacia da Europa.

Como já tratamos de Século XIX no 2º ano, falemos do século XX, mais especificamente das duas guerras mundiais, também chamadas de “Nova Guerra dos Trinta Anos”. Antes, antecedentes históricos que causaram-nas:

· Economia mundial (1870-1914): prosperidade. Não existe melhor palavra pra definir a situação econômica (ao menos das grandes potências, especialmente na Europa). O capitalismo estava expandindo. A industrialização aumentando, os mercados crescendo. O livre-mercado e a redução de taxas alfandegárias aumentaram o fluxo do mercado e o volume de capital. O ouro agora era a unidade básica do comércio (padrão-ouro), criando-se um sistema monetário internacional unificado, o que facilitou a integração dos mercados. A Europa não via tanto tempo de paz entra as potências (“Pax Britannica”: como potência hegemônica, Inglaterra garantia que não se criasse nenhum conflito que ameaçasse seu status).

Para melhorar tudo, veio a Segunda Revolução Industrial (iniciada nos EUA), que trouxe melhorias tecnológicas como o desenvolvimento do motor a combustão, a indústria petroquímica, o automóvel, o telégrafo. Isso tudo intensificou a revolução dos transportes e comunicações, iniciada na Primeira Revolução Industrial. Países mais periféricos (fora do eixo de poder Europa-EUA) começaram a se industrializar, como Japão e Rússia. O imperialismo também foi intensificado: a busca por novos mercados levou à exploração de povos subdesenvolvidos (“exportação” forçada da modernidade). O aumento da competitividade trouxe o desenvolvimento do capitalismo financeiro (baseado no capital e não no comércio), criando organizações como cartéis (empresas que controlam o preço, controlando o mercado), trustes , holdings (empresas maiores que controlam empresas menores, monopolizando o mercado) e favorecendo a exportação de capital (investimento de capital em países subdesenvolvidos com a intenção de expandir mercados).

Além dos fatores positivos, a modernização e o a expansão do capitalismo trouxeram problemas como a assimetria econômica e a conseqüente divisão de papéis na economia mundial: centro (blocos de países desenvolvidos) e periferia (subdesenvolvidos), integrados num quadro de desenvolvimento desigual e combinado (“o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre... e o motivo todo mundo já conhece: é que o de cima sobe e o de baixo desce”).

E, como tudo estava indo bem de mais para ser verdade (para as potências em geral), de 1873 a 1896 o mundo passou pela sua “primeira depressão”: como a produção ia ‘muito bem, obrigado’ e a oferta de matérias-primas só aumentava, começou a haver excesso. E, com o excesso e a concorrência que aumentava, os preços começaram a cair. Caíram tanto que começou uma crise de deflação (preços baixos, pouco lucro, falência). As bolsas da Europa e dos EUA começaram a quebrar (graças às “bolhas especulativas” das indenizações francesas pós-Guerra Franco-Prussiana e da euforia ferroviária dos EUA – a crise chegou, os preços das ações caíram e as bolsas foram quebrando; não precisa saber em detalhes).

Em época de crise, adotam-se medidas para se aplacar a crise. E nessas horas é cada um por si: nada mais de livre-comércio e de taxas alfandegárias quase nulas; era hora de se estabelecerem medidas protecionistas para que cada país, por si, tentasse reestruturar sua economia e segurar a crise. Isso gerou atrito na relação econômica de vários países. Mas é importante frisar que, embora estivesse em crise, o comércio continuou crescendo (prejudicando mais os exportadores de matéria-prima – a periferia, que lucrava muito pouco com os baixos preços).

Para acompanhar a crise, em 1876, em especial em países periféricos populosos como Índia, China, Sudão e Brasil, sobreveio uma crise de falta de alimentos, causando a “Grande Fome”. A falta de alimentos pode ser explicada por fenômenos climáticos (El Niño) e produtivos (como os países eram especializados em exportar matéria-prima, a sua produção para o mercado interno não foi capaz de sustentar a população – problema gerado pelo Imperialismo e pela divisão de papéis no mercado internacional).

Apesar dos problemas, que foram em grande parte contornados, a globalização conseguiu se manter forte e se intensificar ainda mais nos 20 anos que antecederam a 1ª Guerra, numa época chamada de “Belle Époque” (fase de grande otimismo e fé no progresso – “a grande aceleração”).

· Organização mundial em 1895 – 1914 (Belle Époque): politicamente o mundo era uma anarquia generalizada – não havia nenhum tipo de organismo que se encarregasse de manter a paz e o equilíbrio de forças entre as potências num cenário de multipolaridade (vários pólos de poder) e de instabilidade. Era marcada pela supremacia européia; as principais potências na Europa eram Grã-Bretanha, Alemanha, França, Rússia, Império Áustro-Húngaro e Itália. Seguindo a Europa de perto estavam EUA e Japão, que disputavam a liderança no Pacífico.

Embora houvesse tal anarquia no cenário mundial, um sistema chamado “sistema de congressos” ou “concerto europeu”, que se baseava na idéia de reuniões de tempos em tempos entre as grandes potências com o objetivo de solucionar crises e evitar conflitos. Tal prática vinha sendo desenvolvida desde o Congresso de Viena em 1814 (que reorganizou a Europa depois de Napoleão Bonaparte), seguindo uma tradição iniciada após a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) no “Sistema de Viena”. (Tal sistema mostrou-se ineficaz, tanto que não conseguiu evitar o avanço da 1ª Guerra Mundial).

Por mais que existissem diversas potências no Continente Europeu, a Inglaterra era sem dúvida A POTÊNCIA, tá ligado?? Melhor e maior marinha, maior império colonial EVER, maior reserva de capitais da galáxia...Maaaas, tinha uma grande defeito: por ser uma ilha e não ser dos mais populosos países, faltava exército à potência hegemônica. Sabendo disso, a diplomacia era a maior arma dos ingleses para evitar conflitos e manter sua supremacia global (“Pax Britannica” – através de mecanismos comerciais e diplomáticos, a Inglaterra mantinha sua posição e evitava o surgimento de concorrentes).

Como creio que a matéria dele só vem até aqui, só farei até aqui. Caso eu esteja errado, o que tem acontecido com frequência, favor avisem-me por comentários para que eu atualize aqui.

Boas provas!

OBS: resumo do Paulo amanhã à noite; talvez algo de química também (similar aos de física).