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junho 29, 2009

Meus filhos, bom dia(rhhh)!

Enquanto vocês estavam reclamando aí por comentário ao invés de ir estudar ou dormir, qúe é melhor, eu estava dando aula na 902 e o Bruno (do 3° D) digitou o resumo por mim.

Começando o resumo de literatura que fala sobre o modernismo no Brasil, vamos falar sobre seus antecedentes:

  1. Antecedentes da Semana da Arte moderna
    · Fatos principais:
  2. 1912. Oswald de Andrade chega da Europa pregando O FUTURISMO( Oswald não considerava que tudo que vem de for a é ruim, aproveitava-lhe o que tinha de boa; para ele a arte estava se afastando de seu objetivo principal
  3. 1913. Exposições: Lasar Segall e Anita Malfatti
  4. 1914. Divulgação da Pintura Moderna- Osw. De Andrade
  5. 1915. Criação da Revista "Orpheu" em Portugal (mapa astral - muitas pessoas morriam)
  6. 1916. Divulgação da Poesia Moderna
  7. 1917. O ano decisivo:Publicações
    · Há uma gota de sangue em cada poema: M. de Andrade
    · Cinza das horas: M. Bandeira
    · Nós: Guilherme de Almeida
    · A Frauta de Pã: Cassiano Ricardo
    · Juca Mulato- menotti del Picchia
    · Anita é duramente criticada por Monteiro Lobato: Paranóica (louca) e Misticista (falsa)
    · Publicação de "Carnaval" - Manuel Bandeira
    · Victor Brecheret é descoberto pelos jovens (Victor era de origem extremamente pobre; quando tinha 16 anos foi para a Itália graças as economias de seus tios; foi descoberto por Mário de Andrade quando este precisava de um escultor). É extremamente elogiado por M. Lobato (dizia que a única coisa que Victor deveria fazer aqui no Brasil eram as malas).
  8. Graça Aranha chega da Europa e adere aos jovens. Foi muito criticado pelos velhos. Foi um precursor indispensável para a semana de arte moderna, dando crédito ao trabalho dos jovens.


· Semana de Arte Moderna- Em São Paulo; a data foi escolhida por que faziam exatos 100 anos da proclamação da república e acontecia na mesma época o tenentismo (Mário de Andrade ria da semana até ter dor de barriga, pois era um movimento anti-burguês patrocinado pela burguesia cafeeira).

Modernismo Brasileiro

Num sentido bem geral o modernismo veio como uma reação imediata ao passado conservador e acadêmico: o Parnasianismo (cultuava a forma, o estilo e o engajamento literal). Para o escritor modernista não importava a forma de escrever mas sim o conteúdo passado. A liberdade de escrita e de expressão foi muito explorada: versos livres, poema-piada, ironia e humor. Foi um movimento extremamente revolucionário (iconoclasta). Valorizaram bastante o cotidiano na prosa e na poesia (interesse pelo homem comum). O movimento mostrou também um grande interesse nacionalista.

Nasce, então, o modernismo no Brasil. O nosso modernismo pode ser dividido entre três fases:
1ª Fase-> Predomínio da poesia sobre a prosa
2ª Fase-> Relação idônea entre poesia e prosa
3ª Fase-> A prosa sobrepõe-se sobre a poesia

Nessa etapa, porém, só cai a primeira fase. Então vamos direto ao assunto:

1ª Fase do Modernismo Brasileiro
O movimento como um todo teve um espírito inovador, mas, como a 1ª fase foi de certa forma a que deu sua cara a tapa, ela foi considerada a mais inovadora, polêmica, destruidora de conceitos e anarquista. Pelo mesmo motivo possuía um explícito espírito heróico em suas obras.
Como já dito, nessa fase a poesia predominou sobre a prosa.
A primeira fase teve três principais expoentes:

1º- Oswald de Andrade

· Oswald foi considerado o ponta de lança do modernismo brasileiro. Suas obras continham um teor irreverente, rebelde e agressivo que acabou por caracterizar suas obras, além, claro, do ironismo, anarquia e humor. Suas obras possuíam um estilo cinematográfico, telegráfico. Outra característica importante de Oswald foi seu largo emprego de paródias. Das características gerais do movimento, as que mais marcaram suas obras foram: valorização do cotidiano e o interesse pelo homem comum.
· Oswald vinha fervendo direto do forno da Europa recheado das ideologias que por lá ganhavam força: o Futurismo e o Primitivismo.
· Oswald, além de poeta, foi romancista, ensaísta (comentário crítico, elucidativo sobre algum fato ou arte) e teatrólogo (com a peça Rei das Velas que era uma espécie de autobiografia no que diz respeito à característica de mulherengo do personagem.
· Foi criador dos grupos: Pau-Brasil (espírito nacionalista) e Antropologia

2º- Mário de Andrade

· Considerado o papa do modernismo ou ainda O Grande nome do Modernismo, Mário foi poeta, contista, romancista ("Amar verbo intransitivo"), cronista, ensaísta e crítico literário.
· Assim como Oswald, Mário foi extremamente influenciado pelo futurismo, porém, destacou-se em seu acervo o folclorismo e nacionalismo.
· Mário era pianista e isso o levou, por meio de prosas-versos, a compor músicas, folclore, modinhas populares, sertanejas, africanas e cantos religiosos (que na verdade eram a folia, nada religioso).
· Uma das obras mais conhecidas de Mário é Macunaíma, porque nela está presente uma das primícias de Mário: a ficção. Mário deu um novo rumo para a ficção literária. Em Macunaíma, que é considerado um romance rapsódia, encontramos traços explícitos do antropofagismo modernista e da busca pela identidade nacional.
· Foi o Mário quem… criou o grupo: Desvairismo.

3º- Manuel Bandeira

· Considerado o São João Batista do Modernismo (aliás, todo mundo é considerado alguma merda do modernismo; criatividade zero), Maneco foi poeta, contista, cronista, ensaísta e crítico literário.
· Maneco demonstrou habilidade e extremismo ao compor desde o soneto até o Concretismo. Eram características suas: lirismo, espiritualismo, universalismo, neo-romântico e neo-simbolista.
· A vida de Maneco não foi das melhores: tudo começa quando ele decide ser engenheiro, mas é afastado de seu sonho ao contrair tuberculose; logo depois ele perde mãe, irmã, irmão e pai, nessa ordem. Daí sai a justificativa de seus temas: doença, desalento, desencanto, solidão, morte, estrela (alta , luminosa, perfeita, porém inatingível), ironia, fugacidade da vida.

Qualquer reclamação SOBRE o resumo, por favor mandem por comentário.

E os resumos de artes serão os cadernos digitados, até porque é uma prova que dá pra resolver por exclusão.

Abraços

maio 08, 2009

Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo

Seguinte, além deste resumo do Lacerda, ainda tem um esqueminha do Waldson e do Riemma. E, mais importante, das 3 artes. O problema é que não consegui postar todos eles até 12:50, como prometido. Mas, no mais tardar, 20 horas estão aqui.
Desculpas e abraços,
Félix.
  • Parnasianismo
Assim como toda escola literária depois do Romantismo, o Parnasianismo surgiu na França, em meados do século XIX, contemporâneo ao Realismo e ao Naturalismo. E assim como o Realismo e o Naturalismo, o Parnasianismo surgiu como reação ao lirismo romântico, criando uma poesia objetiva e impessoal (ao contrário da romântica que era subjetiva e pessoal). Os poetas parnasianos ficaram conhecidos por sua obsessão pela perfeição formal ou estética dos poemas. Tal perfeição pode ser observada em seu vocabulário (escolhido minuciosamente e com palavras rebuscadas, tanto que eram chamados de "poetas do dicionário"), na métrica dos poemas (preferência pelo soneto, que tem forma fixa - versos Alexandrinos, com 10 sílabas, ou dodecassílabos, com 12), nas rimas e no uso do enjambement (ou cavalgamento, que dá ritmo ao verso, continuando a idéia no próximo verso). O hiato é muito pouco usado, pois quebra o ritmo do verso, "enfraquecendo-o".
Sobre as rimas, podemos ter:
  1. Ricas: entre classes gramaticais diferentes.
  2. Graves ou femininas: rimas entre palavras paroxítonas no fim dos versos.
  3. Agudas ou masculinas: rimas entre palavras oxítonas no fim dos versos.
  4. Esdrúxulas: rimas entre proparoxítonas.
Tal busca pela perfeição é explicada pelo lema parnasiano de fazer a "arte pela arte", ou seja, sem engajamento nenhum, seja social, político, religioso ou pessoal. Com isso, seus temas são bem restritos, como os temas mitológicos (perfeição), metalinguísticos (falando sobre o trabalho do verso), descritivos (falando sobre a arte ou objetos de arte)... Nos metalinguísticos, os poetas geralmente comparam seu trabalho com o de um ourives, engenheiro ou arquiteto, que cuida para que seu trabalho atinja a perfeição, mesmo que isso demande muito esforço.
Os três principais poetas parnasianos, conhecidos como Trindade Parnasiana, são:
  1. Olavo Bilac: ganhou o título de "Poeta das Estrelas" (que gay), com cadeira na Academia Brasileira de Letras. Seu poema tratava do amor, de forma erótica (mas colocando a perfeição formal em primeiro lugar)
  2. Raimundo Correa: o mais "quadrado" dos três, se preocupava demais com a perfeição formal.
  3. Alberto de Oliveira

  • Simbolismo
O Simbolismo surgiu na França após o Parnasianismo, no final do século XIX, como reação ao cientificismo materialista dos realistas/naturalistas/parnasianistas. Foi a volta à temática subjetiva do Romantismo, do Barroco e inclusive da Idade Média. No lugar da poesia dedutiva do parnasianismo (ou seja, uma poesia objetiva), os simbolistas elaboraram poesias indutivas (sugestivas, subjetivas, não-lógicas, emocionais). Como forma de aumentar ainda mais essa subjetividade e essa fuga do lógico e do real, os simbolistas apoiaram suas obras na Música, considerada por eles a mais emocional, mais completa e subjetiva das artes; e para buscar musicalidade no texto, eles usavam frequentemente a aliteração e a assonância (repetição de consoantes e vogais, respectivamente).
Como queriam fugir do mundo material, o mundo espiritual era um tema constante para os simbolistas, que usavam, muitas vezes, termos ritualistas (usados em cultos religiosos). O EU também é extremamente valorizado, sendo que a função emotiva e a poética convivem na maioria dos poemas.

    Principais autores:

  1. Cruz e Sousa: poeta do branco (usava a cor para dar mais espiritualidade temática, como muitos dos simbolistas que usavam o roxo, o azul e o cinza (cores frias e bucólicas).
  2. Alphonsus de Guiumaraens: extremamente espiritualista, busca nos ritos católicos os temas para seus textos.

  • Pré-Modernismo

O pré-modernismo, diferentemente das escolas, não surgiu na França (surgiu no Brasil). Mas, Félix, se você disse que todas surgiram na França, como que o pré-modernismo é brasileiro? Ahá! Aí é que tá, o pré-modernismo não é escola literária. É apenas um período de transição do Parnasianismo/Simbolismo para o Modernismo, juntando aspectos antigos com aspectos novos (isso é Sincretismo). Nesses 20 anos, os escritores brasileiros voltaram-se para temas regionais, fazendo textos de crítica social e/ou política. Como cada autor tem sua especificidade, vejamos os mais relevantes:

  1. Euclides da Cunha: o cara era um cabeçudo (era jornalista e escritor, formado em engenharia, medicina, foi do exército e outras coisas). Considerado o primeiro pensador brasileiro, ele juntava literatura e ciência, atuando no local dos acontecimentos e escrevendo em forma de arquivos (jornalista - linguagem referencial). É considerado o introdutor do pré-modernismo; teve uma vida conturbada (traição, assassinato, várias profissões) e isso influencia no seu modo de ver o mundo. Sua principal obra, "Os Sertões" (1902), fala da batalha de Canudos e pode ser dividida em 3 partes: 1 - "A terra" (análise geográfica do cenário - Canudos, Bahia); 2 - "O homem" (análise do homem - jagunços e Antônio Conselheiro - e do meio; determinismo: o homem é fruto do meio); 3 - "A luta" (descrição jornalística das lutas entre o exército republicano e os resistentes liderados por A. Conselheiro. Suas obras, em geral, criticam a República, o protestantismo e o casamento (civil).
  2. Graça Aranha: sua obra "Canaã" (1902) fala da imigração alemã no Brasil. O cenário é o estado do Espírito Santo; os personagens são os imigrantes Milkau (que acredita na força regeneradora do amor - viadinho, é humanista e muito espiritualista - resumindo, é a favor da aceitação das diferenças entre as pessoas) e Lentz (racista, acredita no materialismo - é a favor da idéia de que existem diferenças entre as raças). O romance é uma crítica social (ideológico).
  3. Lima Barreto: mulato, teve uma vida muito difícil e escreveu obras como "Recordações do escrivão Isaías Caminha", uma espécie de autobiografia na 1ª pessoa falando das dificuldades de um negro para conseguir um trabalho com dignidade (critica o fato de que os contatos valem mais que o talento). Outras obras são "Numa e ninfa" (crítica política), "Clara dos Anjos" (crítica social) e o livro mais famoso, "Triste fim de Policarmo Quaresma", no qual denuncia o preconceito racial 9a obra se passa nas favelas cariocas). Sua linguagem é panfletária e jornalística (simples compreensão). Ele é considerado um dos escritores mais completos: romancista, cronista, contista.
  4. Monteiro Lobato: se utilizou de humor (muitas vezes trágico - "humor negro") e ironia para denunciar o atraso mental do país nas figuras do caipira/caboclo. Suas obras, como "Urupês", "Negrinha", "Cidades Mortas" e "Jeca-tatu" se passam, predominantemente, no interior paulista. Teve grande importância na Semana de 1922.
Não cai Augusto dos Anjos, então Literatura é só isso.

Abraços,
Félix

março 13, 2009

Escolas Literárias e outros

Inicialmente, peço desculpas pelo erro no resumo de geografia: EUA só viraram "superpotência" depois da Segunda Guerra, como bem me corrigiu o George em um dos comentários. Desculpem-me.

Agora, o que interessa. A prova de português vai ter 15 questões, 5 de cada professor. A parte de Literatura (Lacerda) envolve as escolas literárias; a parte de Gramática (Waldson) é baseada nas funções da linguagem e daquele quadro sintático (Quem Fez O quê, Onde, quando...), além da parte de posicionamento de vírgulas; a parte de Texto (Riemma) é de interpretação - uma questão, especificamente, ele pede pra tirar a dubiedade de uma expressão acrescentando palavras (tornar cada significado explícito em uma das transcrições).

Ok, resumindo a parte do Lacerda...


ESCOLAS LITERÁRIAS NO BRASIL

Período Colonial é a fase na história brasileira que vai desde o Descobrimento em 1500 até o início do século XIX, com a Independência (1822). Inicialmente, escritores (escribas e aventureiros) vinham ao Brasil não com o intuito de iniciar uma carreira literária. Muito pelo contrário, o Brasil interessava por suas riquezas naturais, pela sua extensão, pelo selvagem; os colonizadores começaram a estudar e a descrever tais características, relatando fisicamente e historicamente o novo país. Daí surge a primeira divisão literária:
  • Período de Informação - "Quinhentismo" (séc. XVI): não é uma escola literária, pois não há intenção em seguir um estilo; o interesse é de descrever e iniciar um relato histórico da Colônia.
Depois de um bom tempo com interesses apenas de exploração, os portugueses começaram a dar mais foco no Brasil. Ainda não era lá tanto foco, mas pelo menos começaram a traçar planos para o país: Capitanias Hereditárias, Capitães-Gerais comandando as províncias, Jesuítas mandados para evangelizar os índios... Nessa época, na Europa, estava acontecendo a Contra-Reforma: em reação à Reforma Protestante, a Igreja Católica fortalece sua doutrina e expande a ação dos missionários, tentando barrar o avanço do protestantismo e do paganismo nas terras do Novo Mundo. Como braço artístico da Contra-Reforma, surgiu a escola artística Barroca, que tinha como objetivo a pregação da Doutrina e a elevação das almas à Deus. O Barroco, mesmo que tardiamente chegou no Brasil, sendo considerada a primeira escola literária do país:
  • Barroco - "Seiscentismo" (séc. XVII): primeira escola literária, ainda não versava sobre o Brasil, mas foi o início da literatura feita no Brasil. Os principais escritores, como o Padre Antônio Vieira, usavam seus textos como forma de transmissão da doutrina Católica (evangelização dos índios e sermões nas igrejas). Foi uma época de conflitos: conflitos internos das pessoas, que não sabiam como equilibrar fé (Teocentrismo Medieval) e razão (Antropocentrismo Clássico); conflitos externos, entre as doutrinas pregadas. Como resultado, o Barroco não versa sobre temas específicos (fica somente nesse dilema; é chamado de Niilismo temático) e usa de linguagem rebuscada (inversões, figuras de linguagem), indo contra a simplicidade e o racionalismo do período clássico (período anterior ao Barroco na Europa).
Todo movimento artístico ou ideológico, ao longo da História, sempre surgiu em reação ao movimento ou ideologia dominante em sua época. Assim foi com o Barroco: ele surgiu contrariando o racionalismo Clássico e foi sobreposto pelo movimento seguinte que, pela lógica, negava as bases barrocas. Tal movimento foi o Neoclassicismo, ou também chamado de Arcadismo ( o nome vem da mitologia grega: Arcádia era o nome do monte onde vivia o deus Pã, que inspirava os poetas... maior viagem, enfim).

  • Neoclassicismo/Arcadismo - "Setecentismo" (séc. XVIII): foi o início da literatura brasileira propriamente dita (antes, europeus vinham ao Brasil escrever; agora, brasileiros escrevem). Como reação ao Barroco, o Arcadismo negou a linguagem rebuscada, o uso excessivo de figuras, o conflito, o niilismo temático e a valorização do emocional (fé). Em troca, os árcades valorizavam a clareza das idéias ("inutilia truncat", ou seja, corte do que é inútil, uso da ordem direta, sem inversões e poucas figuras), o equilíbrio e, principalmente, a natureza, que era símbolo disso tudo (mas era apenas decorativa, não ativa). A natureza, para o árcade, simbolizava o "locus amoenus" (local ameno, agradável), local de fuga da realidade urbana e inquieta - "fugere urbem" (fuga da cidade), de maneira a aproveitar a vida - "carpe diem" (colhe o dia, aproveita o dia). Mas, como sonhadores, os árcades não fugiam para o local ameno para aproveitar o dia: isso era apenas uma fantasia levada a cabo (realizada) apenas nas palavras. Chama-se isso de sentimento bucólico: vontade de retornar a algum lugar/momento, mas tal desejo não se pode realizar. Os bucólicos Cláudio Manuel da Costa e Tomáz Antônio Gonzaga foram os principais nomes do movimento.
Com a chegada do século XIX, também houve a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (1808), o que trouxe muitos artistas e incentivos à arte ao país. Com a corte de Dom João e Pedro I, as artes avançaram consideravelmente em relação aos períodos anteriores, ficando mais ligada às influências externas (especialmente européias).

Período Histórico mundial: época de Revoluções burguesas na Europa e nos Estados Unidos. Parte da burguesia ascende ao poder e a nobreza perde o poder político. Isso gera uma atmosfera de sonho: aqueles que têm o poder querem permanecer com ele e aqueles privados do poder sonham a tê-lo de volta. Nesse clima nasce o Romantismo. A escola romântica surgiu na Alemanha em 1774 (Goethe, escrevendo "Werther") e na Inglaterra, sendo que foi a França que assumiu o papel de pólo propagador. A escola romântica, como a árcade, negou a anterior: no lugar da simplicidade temática, voltou a fantasia e a religiosidade, no lugar do racionalismo, veio o sonho, o sentimentalismo, o subjetivismo e o individualismo. A natureza árcade decorativa agora era substituída por uma natureza expressiva romântica, que pode inclusive participar das tramas.

  • Romantismo (1836. 1ª Metade do séc. XIX): primeira escola com sentimento nacionalista (apoio à Independência política) e com temas mais voltados ao Brasil, como o indianismo (criação da imagem heróica e idealizada do selvagem) e o próprio nacionalismo (sentimento de amor à pátria a ao que ela representa). A poesia romântica pode ser dividida em 3 gerações, sendo que as 3 tem em comum o nacionalismo, o indianismo e a mulher, tendo foco diferenciado em cada uma delas:
  1. 1ª Geração: mais nacionalista e mais indianista; principal nome: Gonçalves Dias.
  2. 2ª Geração: geração da Morte, "mal-do-século"; principal nome: Álvares de Azevedo.
  3. 3ª Geração: Social ou "condoreira" (da liberdade - anti-escravista); principal nome: Castro Alves.

Em contraposição à época de sonho, vem uma época urbana. Isso porque na segunda metade do século XIX ocorre a Segunda Revolução Industrial, responsável por levar muita gente às cidades, aumentando a violência, a miséria e todas as mazelas sociais e morais geradas pela exploração e pelo desemprego que só vinham a galope. Não era mais tempo de sonhar. Era tempo de se mostrar a realidade como ela era. Daí surge, na França (1857), o Realismo (obra: Madame Bovary). Os realistas, em reação ao romantismo, eram mais racionais e mostravam a realidade como tal, objetivando seus textos e tratando do presente (o Romantismo sempre buscava o passado). Os realistas faziam de suas obras verdadeiras denúncias da situação caótica da sociedade. Como evolução do Realismo, surgiu também na França (1880), a escola Naturalista (obra: Therèse Raquim). O naturalismo, como evolução do realismo, também tratava de denunciar as mazelas da sociedade, mas de uma forma mais crua e ainda mais direta, mostrando as doenças da sociedade, tratando de mazelas morais. Chegaram ao mesmo tempo no Brasil, ambas atrasadas:

  • Realismo/Naturalismo (2ª metade do séc. XIX): em 1881, com a publicação das primeiras obras, se iniciam Realismo e Naturalismo no Brasil. Como características semelhantes temos: a denúncia da realidade em reação ao Romantismo, a visão objetiva e contemporânea dos fatos, a visão sensorial (baseado nos sentidos e na razão - não mais na emoção e em crenças), a presença de personagens com fundo psicológico (anteriormente as personagens eram lineares, ou seja, apresentarem comportamentos-padrão - agora as personagens são esféricas e sofrem transformações de comportamento durante as obras), a crítica social e a crença na razão (cientificismo, materialismo e determinismo - movimentos baseados na razão que explicam o comportamento do homem no meio). As principais diferenças são:
  1. Realismo: os romances são de tese documental (mostram e caracterizam a realidade), fazem análise psicológica das personagens e o autor sugere (as conclusões são tiradas pelo leitor).
  2. Naturalismo: os romances são de tese experimental (buscam uma reação da sociedade, agem para mudar a realidade), fazem análise patológica das personagens (as mazelas morais e patologias sexuais são denunciadas: prostituição, homossexualismo, etc - o homem é caracterizado de forma animalesca) e o autor mostra (o autor expõe as conclusões, denunciando diretamente a realidade).


Bom, a parte do Lacerda (na minha turma, ao menos) foi até aí.

A parte do Riemma não tem muito como resumir... só é bom dizer que AFIRMAÇÃO é o que se pode ver explícito no texto e INFERÊNCIA é o que se pode concluir a partir da leitura de implícito; PRESSUPOSTOS são leituras de implícito a partir de sinais gramaticais e SUBENTENDIDOS são leituras de implícito a partir de sinais de sentido.

A parte do Waldson também não é muito resumível, até porque ele vai colocar aquele quadro de
Quem - fez - o quê? - quando/onde/por quê?
na prova. Então só vale frisar que NÃO SE SEPARA, COM VÍRGULA, O SUJEITO DO VERBO NEM O VERBO DE SEUS OBJETOS e que quando se desloca o adjunto adverbial (quando/onde/por quê?), a vírgula é obrigatória caso seja em forma de oração ou facultativa caso seja em forma de termo.
TERMO = sem verbo. ORAÇÃO = com verbo. Se for deslocar o adjunto para o meio da oração e a vírgula for necessária, é obrigatório que se usem duas vírgulas, caso contrário a oração fica errada pois ou o sujeito ficará separado do verbo ou o verbo dos objetos por uma vírgula.

Fora isso, a parte de funções da linguagem (pg 511 da apostila) também é tranquila:
  1. Função emotiva: centrada no emissor, no EU. Também chamada de função expressiva. Marcada pelos verbos na primeira pessoa, geralmente do singular. Ex: diário.
  2. Função referencial: centrada no assunto, no O QUÊ. Também chamada de função cognitiva ou informativa. Marcada pela impessoalidade e pelos verbos na terceira pessoa. Ex: jornal.
  3. Função apelativa: centrada no destinatário, no VOCÊ. Também chamada de função conativa. Marcada pelos verbos no imperativo, vocativos e segunda pessoa. Ex: propagandas.
  4. Função fática: usada para iniciar ou testar o canal de comunicação. Ex: Conversa de elevador.
  5. Função poética: centrada na construção da mensagem. Marcada pela escolha de palavras, rimas, sonoridade, construção da frase. Ex: poesias, alguns discursos mais bem trabalhados.
  6. Função metalinguística: centrada no código. Marcada pela explicação do próprio código. Exemplos: Aula de gramática, dicionário, poema sobre como criar poemas, um filme falando sobre como se fazer um filme.

Prova do Giovanni tem características da Narração, da Descrição e da Dissertação. Coisas simples, é só pensar no objetivo de cada uma:
  1. Narração: conta uma história (ficção), utilizando-se de personagens, narrador (que pode ser personagem ou observador), tempo (cronológico ou psicológico - flashbacks, por exemplo) e espaço. Tem um conflito que gera a história, um clímax (apogeu - solução dos fatos/conflitos) e um desfecho.
  2. Descrição: tem por objetivo descrever algo, alguém, algum momento. É "fotografar com palavras", dar uma caracterização de algo sem levar em conta nenhuma ação. Pode ser objetiva (concreta e coletiva - todos tem a mesma visão) ou subjetiva (abstrata e individual - demonstra a opinião do autor). Uso constante de adjetivos (caracterização).
  3. Dissertação: argumentação em torno de um tema. Dar a opinião através de argumentos, de forma aparentemente impessoal. A partir de um tema apresenta-se uma tese e os argumentos devem sustentar a tese (opinião sobre o assunto/tema). Uso da terceira pessoa (marca de impessoalidade).
E, além disso, há questões discursivas na prova de redação. Uma delas é sobre o aquecimento global, que todos já estamos de saco cheio de discutir. A outra, entretanto, é sobre um discurso do Obama sobre paternidade. Link para uma visão geral do discurso: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u412741.shtml


É isso, galera. Foi mal a demora no resumo. Os próximos eu tento passar com mais antecedência. Abraços! Boas Provas.